terça-feira, maio 29, 2007

Miss segura

Pois é, e acabou que o "Concurso de Miss Universo" (!) desse ano teve um marketing como há muito não se via aqui pelo Brasil e todo mundo ficou sabendo do resultado (para lá de contestado) e inúmeros foram aqueles que assistiram ao programa.

Eu mesmo assisti ao terço final, a tempo de ver a moreninha americana realizar aquela constante apreensão (ou torcida?) da assistência: "e se ela cair logo agora?". Caiu.

Analisando bem o resultado, deu para ver que não tinha como a moça de Juiz de Fora vencer (por sinal, há marmanjos comemorando o resultado. Fosse eleita miss universo, não poderia sair na Playboy... Agora cogitam até participação no Big Brother. O "pay per view" ia bater recorde. É o que dizem...). Bem, mas voltando ao tema "Isso Foi um Absurdo! Que Vergonha", a foto abaixo mostra as vencedoras da noite. Miss China (soa estranho, "miss china", "mixina", eu hein...) foi eleita "Miss Simpatia", título que, todos sabem, pertencia até ontem a Sandra Bullock. Miss Filipinas foi coroada "Miss Fotogênia" (?!?!) e, a campeã, Miss Universo (!!!!), a japonesa Riyo Mori. O que todas têm em comum? claro, são "japas".

Não dava para Natália. A noite era da região do sol nascente.

quarta-feira, maio 23, 2007

Pearls

"Vivemos numa sociedade absolutamente heterogênea".

Dentro da linha da "frase-feita" esse é, sem dúvidas, um "conceito-feito". Feito e comprovado. Há inúmeros exemplos que podem confirmar tal afirmação, exemplos de toda ordem e sob diversos sentidos.

A breve história que se segue é um deles.

Ontem um conhecido meu, advogado, veio me contar que estava chegando da 5ª DP, próxima ao tribunal. Foi lá porque havia sido chamado por algum cliente seu - ou conhecido de um cliente, sabe lá - que havia sido conduzido àquela delegacia porque havia sido flagrado vendendo CDs piratas no centro da cidade. Na verdade disse o elemento que não eram CDs e sim, apenas, apresentava aos compradores cópias das capas dos discos, atividade bastante comum nas calçadas do centro e que visa, dessa forma, a fugir da punibilidade do ato, qual seja, vender artigo pirata, contrabandeado ou roubado. (Na verdade devia estar mostrando os discos mesmo senão não teria sido levado para a DP)

Acontece que os problemas do "vendedor" aumentaram em muito quando, no caminho da delegacia, a polícia abriu uma das mochilas que o sujeito levava consigo e encontrou nove papelotes de cocaína...

Ao chegar à delegacia o advogado foi conversar com o (agora) "vendedor" de substâncias entorpecentes e o mesmo afirma, a sós com seu advogado: "pô, eu não cheiro não, doutor! não mesmo! é que eu tava sem grana e arrumei isso aí pra arrumar algum!!...".

Aí eu me faço algumas perguntas e chego àquela conclusão do início: é incrível como essa sociedade é diversificada. Num caso como esse, chega a ser surpreendente que um camarada resolva vender cocaína e não saiba das conseqüências entre ser consumidor e traficante. A diversidade da sociedade, nesse caso, se escancara na disparidade de nível de informação e me vem uma questão: pode um sujeito assim ser colocado junto (fisicamente e legalmente) com reais traficantes de drogas?

É de ficar boquiaberto.

-o-

Voltando para casa, ouvindo a Band News.

A CEDAE (companhia de águas e esgotos do Rio) anuncia que vai começar a utilizar dispositivos na rede de esgotos de grandes consumidores (fábricas e condomínios, por exemplo) que estejam inadimplentes há bastante tempo com o pagamento de suas contas. Os dispositivos são "tampões" que impedem que os dejetos sanitários sigam para a rede pública de esgoto. Assim, o esgoto voltará para dentro das unidades caloteiras, fazendo aquele estrago que podemos imaginar.

Por conta disso, foi entrevistado o presidente da CEDAE (que, por sinal, escrevia um blog até há poucos meses, no Globo online). O presidente, bem austero, vai explicando a nova tática daquela empresa pública quando sai com essa: "...sim, então essa operação, que estamos chamando de "vai dar m", vai combater...". Ah?!?!?!

Olha, que bom que os vidros do meu carro são escuros senão iriam me tachar como louco, tal foi a forma como dei risada (a não ser que a outra pessoa também estivesse ouvindo a rádio). Imagine um sujeito todo sério, terno e gravata, voz empolada, olhando para o repórter e dizendo "pois bem, a operação "vai dar m"...

E é assim mesmo, "vai dar ême", que ele fala! É ou não é MUITO BOM !!?!?

Não tem inferno astral que resista. :-)

Na imagem, o governador (acompanhado do presidente da companhia de esgotos - olha ele aí!) parece já sentir os efluvios decorrentes da utilização dos tampões nos grandes consumidores.

terça-feira, maio 22, 2007

"A nível de resgatado", entende?

De imediato lembrei-me da música "Last Night a DJ saved my life", lançada bem no início dos anos 80, nos estertores da era disco. Mas, com todo o direito, podem me perguntar: "E qual foi o motivo que lhe fez lembrar o antigo hit das pistas de dança?

Bem, talvez possa dizer, parafraseando o título do "Indeep" (é, esse é o nome do grupo, uma "one-hit band"), que "This afternoon, a post saved my life". Estava lendo o Zeromeiaum (linkaulado) quando deparei-me como a tira abaixo, Charlie Brown em sua melhor forma:

Então pensei "poxa, tenho andado que nem o Charlie". Mas logo abaixo, a explicação-redenção! aí está, caros geminianos: o inferno astral!

(Hum... não vejo o menor sentido nessa coisa de "inferno astral", mas pelo menos é uma "resposta-de-salvação". Posso me agarrar à ela, aguardando a ventania passar)

quinta-feira, maio 17, 2007

Solução financeira

Não sei quanto a você mas, do jeito que o dólar está caindo, daqui a pouco eu vou começar a comprar real.

sexta-feira, maio 11, 2007

"Sometimes I wonder where I've been..."

E sigo com post tendo como título trecho de música em inglês. Agora é a vez de Nikka Costa e seu hiper mega super master advanced plus hit do início dos anos 80 "On my Own". Lembrei instantaneamente da Nikka ao ler a notícia sobre o novo fenômeno pop - na MTV romena - , Cleopatra Stratán, quatro anos, que ganhou nesta quinta-feira três prêmios MTV - melhor canção, melhor disco e artista revelação.

Os acessos ao clip da garotinha fofinha (acima) já passaram de um milhão de acessos no Youtube e, decerto, irão bem além disso.

O que muito provavelmente não irá muito longe é a fama precoce da mocinha. O fenômeno "criancinha-fofura que é sucesso magnético internacional" vem dos tempos da Nikka no alvorecer dos anos 80 e também, já na década seguinte, com Jordy e seu "Je m'appelle Jordy, J'ai quatre ans et je suis petit". Por sinal, "quatre ans" também; curioso.

Nada contra o sucesso da meninada. Pelo contrário, é algo que enternece a todos, uma criancinha assim, que grava, faz shows ao vivo e tem desembaraço difícil de encontrar até em muitos adultos. Mas fica a dúvida de até onde está se explorando cabecinha tão tenra e o que isso poderá acarretar em seu futuro.

"But not for such as you and I"

Me peguei em casa de manhã cedo cantando The Smiths. Já escrevi aqui que na adolescência gostava deles porque, entre outras coisas, curtia fazer pose de desolado, com fundamentais reflexões, profundas e desconsoladas.

Até onde era pose e até onde vez por outra continua sendo real, isso não posso (não?) responder. Mas sei o motivo da música, hoje.

"I know it's over" - The Smiths

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head

And as I climb into an empty bed... Oh well. Enough said.

I know it's over - still I cling I don't know where else I can go (over and over and over...)

Oh ... Oh Mother, I can feel the soil falling over my head...

See, the sea wants to take me, the knife wants to slit me, Do you think you can help me ?

Sad veiled bride, please be happy. Handsome groom, give her room... Loud, loutish lover, treat her kindly (Though she needs you More than she loves you)

And I know it's over - still I cling I don't know where else I can go Over and over and over and over Over and over...

I know it's over And it never really began But in my heart it was so real

And you even spoke to me, and said :

"If you're so funny Then why are you on your own tonight ?

And if you're so clever then why are you on your own tonight ?

If you're so very entertaining then why are you on your own tonight ?

If you're so very good-looking Why do you sleep alone tonight ?"

I know ... 'Cause tonight is just like any other night, that's why you're on your own tonight

With your triumphs and your charms, while they're in each other's arms..."

It's so easy to laugh It's so easy to hate It takes strength to be gentle and kind Over, over, over, over It's so easy to laugh It's so easy to hate It takes guts to be gentle and kind Over, over...

Love is Natural and Real But not for you, my love Not tonight, my love Love is Natural and Real But not for such as you and I, my love...

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head ...

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head ...

(till fade)

quinta-feira, maio 10, 2007

Somos todos, menos alguns *

Todos os caminhos já trilhamos.

TODOS já conquistamos.

Qualquer missão que surgir à nossa frente será uma volta a algum lugar em que já houve Felicidade. A nova jornada, portanto, vai ser igual ao reencontro com um velho e bom amigo, seja lá onde for, mesmo que do outro lado do mundo...

E assim, vejam!, até quando nos retiramos é com vitória, companheira desde sempre. Afinal, como disse Nelson Rodrigues, o Flamengo (acompanhado do Fluminense) começou "quarenta minutos antes do nada". Eterno.

Não existe fim, sempre o que há é o recomeço. Um dia voltaremos àquele jardim onde só houve Glória. Para vencer. De novo.

-o-

* faixa estendida em meio à Nação, no Maracanã.

terça-feira, maio 08, 2007

"Ignorancia"

Não posso deixar de me manifestar. Acabo de ver no Jornal Nacional uma reportagem sobre uma reforma ortográfica na língua portuguesa que, segundo o noticiário, visa a tornar homogênea a língua escrita nos diversos países lusófonos.

Acontece que a reportagem, como muitas que são feitas no tempo exíguo do telejornal, aborda a coisa como se fosse maravilhoso "facilitar" a língua já que "a gente já não usa mesmo", como declara no final da notícia uma adolescente em uma sala de aula, aparentemente ensino médio ou cursinho.
É claro que a língua é organismo vivo e exatamente por isso tem mesmo que se modificar, evoluir. Ocorre que as pessoas não têm a mínima noção de como se fala corretamente, quanto mais como se escreve. A língua escrita é tratada como a maioria das pessoas cuida da coisa pública, sem o menor zelo.

Assim, para todos os populares entrevistados, essa eventual mudança surgiria como extremamente bem-vinda, mesmo porque "a gente já não usa mesmo". O projeto - ainda não referendado por Portugal - aboliria o uso do acento circunflexo em palavras como abençôo, vovô, ônibus ou vôo e remeteria para o recém-inagurado Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, o trema - surgindo "frequência", por exemplo. A dificuldade em usar acentos ou quaisquer sinais gráficos vem muito mais da ignorância em relação à língua do que de uma pretensa praticidade.

O momento culminante da reportagem foi a entrevista, ali no Largo da Carioca, com uma jovem que não tinha a menor aparência de pertencer às classes menos favorecidas da sociedade. A repórter pede à moça para escrever uma palavra que possui trema, talvez fosse "freqüência", não lembro exatamente de qual era. Fato é que a moça escreveu ("freqüência", digamos) sem o tal sinal gráfico. A repórter pergunta: "Mas não está faltando nada?", ao que a moça responde, "ah sim, a crase", e marca os dois pontos sobre o "u". "Crase? é esse mesmo o nome?", surpreende-se a jornalista. "Sim, até hoje pelo menos esse é o nome", insistiu a entrevistada, com ar de que havia ali alguma "pegadinha" da repórter.

Não acho, portanto, que aí esteja uma evolução. O que há é, apenas, um vexame. Para todos nós.

domingo, maio 06, 2007

"Outra vez..."

Você foi o maior dos meus casos, de todos os abraços o que eu nunca esqueci. Você foi dos amores que eu tive, o mais complicado e o mais simples pra mim. Você foi o melhor dos meus erros, a mais estranha história que alguém já escreveu...

E é por essas e outras que a minha saudade faz lembrar do título outra vez...

Você foi a mentira sincera, brincadeira mais séria que me aconteceu. Você foi o caso mais antigo, o amor mais amigo que me apareceu... Das lembranças que eu trago na vida você é a saudade que eu gosto de ter... Só assim sinto você bem perto do título e do gol...

Outra vez!

(Caramba, mandei bem. Ah Mengão...)

sexta-feira, maio 04, 2007

quinta-feira, abril 26, 2007

Planos

Relaxados, os dois permaneceram deitados lado a lado, mãos dadas, observando as suaves vagas no mar. Rompendo o silêncio de alguns minutos, ela lhe diz, tranqüila - como quem propõe um café - , sem desviar os olhos das ondas: "Vamos ter um filho". O moço, olhos semicerrados, em nada demonstra abalo. "É isso o que você deseja? está bem. Vamos tentar, amor". E continua ele: "Mas... e seu marido?"

"Ele vai concordar; temos nossos filhos dos primeiros casamentos... E você sabe, ele não quer mais nenhum. Conversaremos. Os argumentos certos resolverão. No entanto...". "Sim?". "Acho que sua mulher é quem não vai gostar...", diz, agora já olhando inquisitiva nos olhos do namorado.

"Bem... concordo. Mas não é um filho que você quer? então, que seja... E na verdade, ela não precisará saber".

"Ok", respondeu por fim, aninhando-se no peito dele, procurando aproveitar os momentos que lhes restavam naquele dia.

-o-o-

Não é nada. Apenas ficção, um esboço de uma cena (plausível?) escrita praticamente em um só fôlego.

segunda-feira, abril 23, 2007

Fotocopiando

"O mundo me condena / E ninguém tem pena / Falando sempre mal do meu nome / Deixando de saber se eu vou morrer de sede / Ou se vou morrer de fome. // Mas a filosofia hoje me auxilia / A viver indiferente assim. / Nesta prontidão sem fim / Vou fingindo que sou rico / Para ninguém zombar de mim. (...) Quanto a você da aristocracia / Que tem dinheiro mas não compra alegria / Há de viver eternamente sendo escrava / desta gente que cultiva hipocrisia." "Filosofia", de Noel Rosa, depois gravada no início dos anos 70 por Chico Buarque.
Maturação poderia ser sinônimo de modificação. E, bem pensando, acaba sendo, já que significa amadurecimento. Digo isso porque em algum dia da semana que passou li o texto da Denise Sollami em seu Quieta Em Meu Canto - link ao lado - sobre a má atitude das pessoas em relação às outras, a baixa ética nas relações, a cultura da fofoca, do disse-me-disse, "o esporte nacional da maledicência e da malquerença; a mobilização de forças em pequenezas".

Tal reunião de idéias ficou (aí está!) maturando em minha mente. Cheguei a escrever um texto que ficou no estágio de "rascunho" sobre tal "esporte nacional", dando até um exemplo - omitindo nomes, decerto - que havia presenciado por aqueles dias, ou seja, a maledicência por ela própria, o falar mal como passatempo, hobby, questão provavelmente associada a frustrações íntimas.

Terminava o tal rascunho alertando sobre o perigo fortíssimo de embarcar nessa corrente de fluxo intenso, comparando-a com a Corrente de Golfo, que nasce do lado "de cá" do oceano Atlântico e vai influenciar no clima da margem oposta, lá para cima, na Europa. Seria, portanto, como tal irresistível corrente, um hábito quase inescapável, visto que o indivíduo se forma em meio a uma sociedade que pratica, assidua e fervorosamente, o ato do mal-dizer e da fofoca (aliada à inveja, provavelmente). E, como arremate, de certa forma defendia a cada um de nós, dizendo que as pessoas não querem imaginar que longe de seus olhos os outros (exercitando o esporte nacional) comentem sobre seu jeito diferente, sua postura... "alienígena" frente às diversas questões. Assim sendo, amoldam-se aos "valores" amplamente praticados, camuflando-se como mais um elo da ampla "rede de intrigas" e mexericos - por sinal, institucionalizados em programas de TV, jornais, revistas e, jóia da coroa, no horário nobre da Globo, no BBB, em todo início de ano. Melhor aprendizado da arte "da maledicência e da mobilização de forças em pequenezas", temos que admitir, não existe.

Escrevi mais ou menos tudo isso mas deixei no word.

A questão me voltou à mente com força após ler o texto que a jornalista Martha Medeiros escreveu na Revista O Globo do último domingo. A crônica fala de uma experiência no metrô de Washington que constou em levar um dos maiores violinistas do mundo, tal de Joshua Bell (de quem a jornalista também admite nunca ter ouvido falar), para tocar em uma estação daquela cidade. Consta que o sujeito tocou por todo o dia e mais de mil pessoas passaram por ele. Seguem-se números sobre a experiência mas o fato resumido é que só uma dúzia parou para ouví-lo e um número menor ainda jogou-lhe algumas moedas que, à vista dos passantes, era o que valia tal apresentação.

Tal experimento não visa a defenestrar os usuários do metrô, nomeá-los de idiotas que dão valor somente àquilo a que os outros dizem ser bom, ótimo ou - o ideal - excelente. Antes, procura demonstrar que até mesmo nosso senso estético pode e deve ser apurado e como se dá a valoração das coisas pelas pessoas. A jornalista afirma, possivelmente repetindo conclusões do estudo, que "só é possível valorizar aquilo que foi estudado e percebido em sua grandeza", fazendo, ainda, uma afirmação que cria a ligação com aquela primeira questão deste texto: "(Essa história) demonstra também que temos sido treinados para gostar do que todo mundo conhece".

Todos sabemos - e obviamente a própria Martha também - que não há um "gosto único". As pessoas apreciam programas variados. Mas não se pode negar que há um mainstream, um fluxo central de comportamento em uma sociedade. As pessoas, naturalmente, são influenciadas umas pelas outras e pela propaganda direcionada (e não apenas a espontânea do boca-a-boca). E de boca em boca, e reclame em reclame, as preferências e práticas vão se consolidando.

Fazemos muitas coisas porque "estão aí", estão acontecendo, estão - em suma - na moda. Então repito que, da mesma forma, podemos acabar - se não ficarmos atentos - entrando "na moda" de falar mal da vida alheia, dizendo o que muitos querem ouvir porque, ao final das contas, eles também seguem, inercialmente, "o esporte nacional da maledicência e da malquerença; a mobilização de forças em pequenezas". Não conseguiria dizer melhor.

-o-o-

Transcrevi no início destes escritos um trecho do samba "Filosofia", de Noel Rosa. De todo aquele período acho mais relevante para essas minhas idéias aqui a parte que diz "Nesta prontidão sem fim / Vou fingindo que sou rico / Para ninguém zombar de mim". É exatamente desse mimetismo imposto a todos e por todos que estive a escrever. No resto, deixo-me discordar. O aristocrata não é necessariamente um fingido, um infeliz em meio à hipocrisia. Pessoas são forjadas para diversos papéis em uma sociedade. O que é luxo e glamour desnecessário para muitos, pode não ser, sinceramente, para outros. E termino com essas considerações por ter assistido há pouco o filme "O Diabo veste Prada", cujo final achei ridículo.

quinta-feira, abril 19, 2007

Não resisto: Invento bom pra cachorro!

Possuo temas novos e variados prontos para serem escritos. Tenho um projeto antigo, ainda apenas só uma idéia, mas que um dia nascerá. Mas nesse momento nada , na-da, pode ter preferência à essa notícia que acabo de ler na internet.

O talento inovatório humano, atrelado a novas tecnologias, inegavelmente sempre expande os limites de nossos horizontes, fazendo surgir "coisas que até deus duvida", diriam.

Eis que uma empresa nos Estados Unidos - onde mais?!? - acaba de lançar um objeto que vai ao encontro do anseio de inúmeros cães solitários em todos os rincões desse nosso planeta.

O bem em questão chama-se "hotdoll" - embora deva receber as mais variadas alcunhas por seus futuros donos (sempre ao gosto de seus pares, naturalmente). Hotdoll é feita de material plástico e coberta por uma camada gelatinosa, o que lhe confere agradável maciez.

Na foto podemos ver um animado poodlezinho branco testando (e aprovando) Hotdoll.

Hotdoll, a primeira boneca inflável canina, vem nas cores preta ou branca, tamanho pequeno ou grande.

Hotdoll possui um orificio traseiro (à esquerda na foto) que proporciona uma experiência mais realística para o cachorrinho enamorado.

E eu achando que o post anterior é que falava sobre modernidades...

É...

mudou.

Mas continua o mesmo.

(Afinal ele completou um ano de existência por esses dias; resolvi presenteá-lo com uma roupa nova)

sexta-feira, abril 13, 2007

Novíssimos tempos

"Minha mãe vem aí. Mas ela vem com o namorado que ela não gosta porque o que ela gosta é casado".

...

(Declaração efetuada nessa semana, autoria de "X", mocinha de 12 anos cuja mãe mora em outra cidade)

Me permito destrinchá-la (a frase, não a mãe, a outra cidade ou muito menos a mocinha): "minha mãe vem aí (...) com o namorado"; ok, uma frase corriqueira já há algumas décadas. Mas que, ainda assim, foge ao padrão "histórico". Continuemos.

"Minha mãe vem aí com o namorado que ela não gosta". Hum... então há outro consorte mas, por motivos até então ocultos, ela vem com o menos... prestigiado. Além disso, por que namorar alguém de quem não se gosta? ah, aí é mistério insondável... Vamos em frente, em busca de alguma elucidação.

"(Ela) vem aí com o namorado que não gosta porque o que ela gosta é casado". "Buemba, buemba", diria José Simão. Eis então que, recapitulando, a mãe namora; com dois; mas gosta só de um; que é casado; e a filha sabe!

E surge, ao menos em mim, a indagação subreptícia, furtiva mesmo: a jovem senhora gosta do mancebo comprometido civilmente justamente por esse motivo (a dificuldade aumenta a atração) ou o rapaz, justamente por ser casado, demonstra seu maior "valor de mercado" atraindo o desejo da genitora namoradeira?

Acima e a despeito disso tudo, carece perguntar: o que tem uma mocinha de 12 anos com tudo isso? "Na minha época" de doze eu mal sabia o que era beijo na boca (e isso em tese; imagine na prática...). A declaração me soou (e soa) cômica. Embora se todo o cenário além e fora dela for observado torna-se trágica. Mas isso não vem ao caso, aqui.

Mas, enfim, excetuando a frase do resto do mundo (uau!), ela é maravilhosa. Repito, para terminar: "Minha mãe vem aí. Mas ela vem com o namorado que ela não gosta porque o que ela gosta é casado". Assim, num sopro só; que máximo.

domingo, abril 08, 2007

Agora sim...

Ainda sobre o Fusca. Hoje saiu na revista do Globo (domingo) uma reportagem sobre Fuscas bicolores (aqueles em que as laterais são pintadas de cores diversas da original) e seus orgulhosos donos. Diz lá que há uma moda quanto ao revival do fusca aqui por essas bandas. Se há moda eu não sei. Meu fusquinha não veio à baila devido a moda alguma, viu?

Além do que, sou tradicionalista. Não sou muito simpático a esses fuscas de "saia e blusa". Alguns ficam bonitinhos; mas descaracterizados.

Porém bem ou mal, os Fuscas estão na crista da onda. É uma brasa!

Mora?

-o-o-

O Rio esteve vaziiio neste feriadão... Estão culpando o apagão aéreo. É, vai ver que é.

sexta-feira, março 23, 2007

Velhas novidades (velhas não; antigas, clássicas)

A longa - em termos de blog, longuíssima - ausência cria a possibilidade de um grande número de assuntos a abordar. Nesse período fizemos uma longa viagem pelos Estados Unidos, cujo início - o deslumbramento com Las Vegas - foi pincelado no último post da série regular. Antes mesmo de viajar imaginei que tal jornada me traria uma variedade de assuntos que preencheriam o imBLOGlio por bastante tempo. Tal impressão concretizou-se mas, ao contrário do que imaginava, acabei por não desfiar aqui as múltiplas histórias. E, a questão surge: por quê?

Há um importante elemento em meu espírito (comportamento, estilo de vida, modo de encará-la, o que seja) que é uma real fobia do que se torna rotina, necessidade, obrigação. Ele, o tal elemento, aquieta-se forçosamente frente àquelas "rotinas normativas", inescapáveis (ir trabalhar, por exemplo). Fora disso, procuro ater-me àquela máxima de fazer apenas o que tenho vontade, como e quando (ok, com exceções, já que devemos, também, ceder à vontade alheia vez por outra). Daí que fui realizando outras atividades e o caro blog ficou aqui, suspenso. Mas vivo!

De toda forma e modo, o tempo cria muitos assuntos. Logo depois que voltei de viagem comecei um curso da FGV, patrocinado pelo tribunal, sobre administração do trabalho, do tempo, das relações interpessoais e liderança. Ao contrário do que esperava, achei interessante. Me rendeu idéias sobre um longo post que iria contrapor o que passei nos Estados Unidos e o que vemos por aqui, com exemplos, basicamente, do tratamento dispensado na relação fornecedor/vendedor x cliente. A conclusão a que se chega (que não nos é novidade) é que cidadania é algo que engatinha em nossa terra, e pouca gente tem consciência dos seus deveres e vira tudo uma bagunça, todos perdendo no final. Não há dúvidas de que o consumidor "de lá" tem consciência e exerce tranqüilamente seus direitos enquanto quem vende trabalha em harmonia com esse exercício da outra parte. E vice-versa. Já no Brasil...

Mas, enfim, os dias passaram e acabei por não desfiar minha corrente de imprecações. Achei melhor voltar à baila com tema mais leve, afinal.

E, assim, lembro de uma boa novidade, coisa que vinha acalentando desde outubro, aproximadamente. Comprei um Fusca! sim, um fusquinha, branco, 1968! mil novecentos e sessenta e oito! Bem, espero que não me perguntem o motivo que me levou a querer um fusca - e um clássico, não esses "modernos" de depois de 1970. Um dia, voltando de BH, dirigindo pela estrada, começei a notar os fuscas passando e, de repente, resolvi querer um fusquinha também.

Já tive um sem-número de carros, diversos estilos e modelos, mas nunca um tão popular assim! é difícil passar um dia sem que um desconhecido não elogie o fusquinha. "Qual é o ano?" é uma das perguntas mais comuns, para logo depois elogiarem o estado do carrinho. Carro que, por sinal, é ótimo de dirigir; a direção é leve - já que o motor é atrás e o eixo da frente fica com pouco peso sobre ele - é econômico e é bem simpático. Ah, e tem mais: já que não tem ar-condicionado (sim, um elemento um tanto... negativo na canícula carioca...) ando de vidros abertos, quebra-vento (!) em ação, uma beleza! Desse jeito - vidros abertos (e, claro, sem essa modernidade medrosa de "insulfilm") - aumenta em muito a interação com "o outro", no caso os demais motoristas. Além do que, dirigir um Fusca 68 todo arrumadinho é o maior style... :-) Assim que tiver boas fotos dele, colocarei aqui no blog.

E talvez (inconscientemente) para contrabalançar essa minha onda retrô (em relação a qual nada tenho contra; estava até pensando em comprar uma máquina de escrever e um chapéu panamá - pô, chapéu é maneiríssimo, pensa bem), me rendi - novamente - à marcha inexorável da tecnologia. Voltei a carregar - o que já é um empecilho em si - um dispositivo eletrônico móvel de comunicação a distância.

Há pouco mais de um ano tinha me livrado do último. Eu até o carregava por aí mas quando suas telas (interna e externa) pararam de funcionar, fui deixando-o de lado até que terminou por ficar constantemente na gaveta do criado (carece de breve nota: era um pré-pago, o chamado "de cartão", fato que, igualmente, fazia com que as pessoas me olhassem com espanto. Agora vê se pode...). Tornei-me, pois, um espécime raríssimo nesse mundo atordoado pela urgente comunicação: um sem-celular.

Não preciso de celular no dia-a-dia; não trabalho com vendas e/ou clientes. Tenho telefone em casa e no trabalho, e minha mulher tem - aí sim, por necessidade - seu celular também. No máximo tenho real necessidade de um telefone móvel uma vez ao mês; e olhe lá... Mas, tudo bem. Voltei a ele. E, atrelada, ganhei mais uma preocupação ao sair: "carteira, chaves, documentos... ah, sim, o celular" (agora "com conta". Blergh).

Se ao menos fosse um StarTac...

quinta-feira, março 15, 2007

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Tudo muda ou, como sempre, eh soh impressao?

Nao imaginava ser tao longe. Apos a "all night long" viagem ateh Miami, ainda nos esperavam mais cinco horas e meia de voo ateh Las Vegas. A distancia eh longa mas, mais ainda, sinto o distanciamento "psicologico". Aqui sao outros interesses, outros objetivos. "Eh um outro mundo" eh lugar-mais-que-comum, mas nao encontro expressao melhor ao acordar, quase oito da manha, quase duas no Rio... hora desigual, tempo diferente, arrisco-me a dizer - sob o iminente risco de ser taxado de exagerado - que parece outra vida; realmente um outro mundo.

Sentado na cama, enquanto Clitia toma banho, teclado sobre um improvisado travesseiro aa frente, digito lah longe na tela da TV, lendo as noticias do Rio - debate sobre maioridade penal, criminalidade, ateh sobre o BBB... No carro, uma voz em bom portugues do Brasil me indica o caminho, seja lah para onde formos. Digito OUTLET no carro: pronto, uma lista se produz e em minutos podemos chegar ao destino solicitado. O mundo gira muito veloz; ontem aa noite, "meia-noite... Deus, jah sao seis da manha, temos que dormir!!"; vontade nao dah, mas o corpo implora.

Ontem aa noite sentamos numa mesa de blackjack. A croupier estah sozinha, aproveitamos a chance. Explico que nao sei detalhes da regra mas a garota japonezinha me explica paciente. O jogo comeca, sorte e azar (serah que nao eh isso sempre, afinal?), ateh ganhamos um pouco. Senta-se um outro oriental a meu lado. Coloca 1000 dolares na mesa e pega suas fichas. Nao demonstram maior emocao, ele ou a garota da banca. Jogo.

Ainda observamos seu jogo por um tempo. Ganha-perde, e assim vai continuando, como tudo o mais aa nossa volta. Em Las Vegas ou no Rio, outro lugar-comum: a roleta gira, dados rolam, a sorte eh lancada, embora, todos saibam, no final o casino eh quem ganha; eh inescapavel.

Lugares-comum, mas num lugar bem incomum. Ou nao?

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Rastros de sangue

Gosto dos velhos filmes de western; sempre gostei. Lembro que nos idos tempos, quando assistíamos à Ilha da Fantasia na TV, imaginava que minha vontade no tal seriado seria viver o dia-a-dia de um cowboy, com direito a Saloon, esporas, rifle Winchester, pistolas Colt ou Smith & Wesson, duelos, pôquer, pradarias e tudo o mais que compõe aquele cenário de, literalmente, bandidos e mocinhos.

No final de dezembro assisti a um clássico do gênero, Rastros de Ódio, com o ícone John Wayne dirigido pelo mítico diretor de faroestes, John Ford. Hoje, lendo as diversas manchetes sobre a barbaridade ocorrida nesse Rio de Janeiro na noite de quarta-feira, o nome daquele velho filme me veio à mente.

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Não chego a comungar e, na verdade, estou longe das idéias do budismo sobre a harmonia que deve haver entre todos os seres vivos. No entanto, tenho inabalável convicção que todos eles, animais ou vegetais, merecem respeito. Até mesmo insetos - que devem ser muitas vezes eliminados, já que portadores de doenças - devem ser mortos rapidamente. Nada justifica torturar a aranha, uma barata ou uma mosca (ainda que essa idéia seja inusitada ou até mesmo risível). Assim, muito menos se deve eliminar um ser animal superior sem motivos fortemente justificáveis. Repito, acredito que temos obrigação, principalmente pela tal Razão que nos foi concedida, de respeitar os animais.

O que dizer, então, sobre o respeito a um animal absolutamente semelhante a nós? esse ser tem uma vida e essa vida é chamada de humana. No entanto, cada um desses seres - e são bilhões - tem o que chamamos de "livre-arbítrio". Fazemos o que queremos (ou tentamos fazer), até que algo nos prove o contrário, ou a impossibilidade. Se eu quiser voar por meios próprios, posso tentar, embora saiba que - à exceção de um milagre - vá despencar e provavelmente morrer. No mesmo tom desse exemplo extremo, podemos fazer infinitas coisas, muitas até bem menos letais, ao menos para o agente ativo da ação. Podemos, como derradeiro exemplo, bem escondidos, sob as trevas da noite e distantes de tudo, matar uma pessoa. Mas, no geral, não fazemos. Os motivos todos sabemos e dispensam ser elencados.

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Vivemos em um enorme grupo social. E o grupo - seja a cidade, o estado ou o país - é composto por cada um de seus membros e pela totalidade de seus atos. Esse organismo, o grupo social, depende de que cada uma dessas "células" exerça, dentro de um razoável e aceitável leque de ações, sua função, seu papel. Há uma espectativa sobre o deputado, o vendedor, o prefeito, o motorista, a mãe, o filho, o guarda, o médico, o jornalista e, até, o bandido.

Uma atitude inumana, ignóbil e monstruosa como a que ocorreu nessa noite de quarta-feita, nos subúrbios entregues ao próprio azar da cidade do Rio de Janeiro, é completamente inaceitável e quase incompreensível. Há teses, sociais, culturais e históricas (além das políticas e econômicas), mas tudo passa pelo completo desarranjo em que nossa sociedade vive.

No Brasil, já se disse muitas vezes, o indivíduo pode chegar a ter vergonha de ser honesto, face à completa desordem a sua volta. Nesse momento, como se isso fosse um desrespeito com tantas dores que nos cercam, chego a ter vergonha de ser feliz.