sábado, setembro 30, 2006

Gol contra, é claro

Iria escrever sobre o voto, sobre nossa responsabilidade cívica, sobre a importância de - ao menos! - lembrar em quem votou e acompanhar de veeeez em quando seu desempenho no cargo eletivo. Mas, embora a eleição de amanhã seja tão importante para a vida de todos, o acidente de ontem encerrou a vida de vários, acendeu a inquebrantável tristeza de diversos e aumentou a sempre presente apreensão de inúmeros.

Trabalho com várias pessoas que têm pânico de avião, muito medo de voar mesmo. Insisto em estatísticas e notícias extremamente - absolutamente! - favoráveis à aviação; milhares e milhares de pessoas morrem por ano nas estradas do Brasil "e" - pergunto a eles - "nos aviões, quantos, ah?" respondo eu mesmo, todo pimpão: "ninguém!!", afirmando a seguir que talvez, talvez, apenas os elevadores sejam meios de transporte mais seguros que aviões. Bem, mas tudo isso virou uma inverdade? não, claro que não. Me sinto muito mais seguro ao adentrar em um avião do que na Linha Vermelha, até o aeroporto, ou na BR-080, até Belo Horizonte. E me sinto seguro não por causa de algum patuá que leve no bolso ou devido ao glamour aeronáutico: me sinto seguro porque É mais seguro, ora!

Mas agora, depois dessa, depois de uma colisão (!) a 11.000 metros de altitude (!!), vai tentar convencer àqueles que têm medo, de que aviões não caem... (Mas não caem mesmo; são derrubados, o que faz muita diferença. Tem que "fazer muita força" para fazer um cair; tanto que o Legacy conseguiu pousar) De toda forma e modo, um episódio muito triste. E improvável.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Notas musicais

Dando prosseguimento à minha carreira cambeta de crítico musical que teve início recentemente com meu desalento quanto a "Carrossel" do Skank, prossigo com o lançamento (de alguns meses atrás!) "Universo ao meu redor" de Marisa Monte.

Conhece? então já escutou uma infinidade de vezes. Não conhece? pare, pare tu-do o que estiver fazendo e saia agora em desabalada carreira para a loja mais próxima. O que, já é madrugada? peça a algum conhecido que tenha uma loja de discos para abri-la! ah? não tem conhecidos proprietários de lojas de disco? interfone para todos os vizinhos do prédio, da rua, bata de porta em porta! implore para que alguém lhe empreste o disco mas não fique nem mais um minuto sem escutá-lo!!!

Logo quando foi lançado me disseram que era muito bom e que ele tocava sem parar no CD do carro. Resolvi baixar pelo emule (ops...) mas deixei quieto numa pasta, meio que esquecido. Que falha, que erro, que lástima! (que cara dramático!)

Mas, sério: é um disco bom demais. Daqueles que acalmam a alma, você vai ouvindo a Marisa afinada e suave, embalando o dia. Nota 10+. (Ah sim: esse é do tipo "baixe na internet, teste e depois compre o disco")

-o-o-

Hoje à tarde estava ouvindo uns antigos sucessos do Pet Shop Boys. "West End Girls", "Always on my Mind", "Domino Dancing", "Alright" (titititi...). Uma época maravilhosa, o mundo tinha sido construído para nossa fruição, tínhamos certeza disso. "Left to my own Devices" me lembrou muito (aquela coisa de voltar no tempo) um dos melhores reveillons que já tive, numa fazenda em Minas Gerais, em Volta Grande - há muito tempo, noutra era geológica.

-o-o-

Não é uma nota musical mas não deixa de ser arte. Ontem fui apresentado ao "diabolo". Adorei, interessantíssimo. Como não tinha muita intimidade com ele, pouco consegui produzir. Se quer saber do que se trata, vá ao youtube e digite "diabolo". Negocinho bacana...

Sem muita paciência

Na volta para casa, no táxi, conversando com o motorista sobre manutenção de carro, visto que seu táxi era novo e bem cuidado. O condutor afirma:

- Para mim, carro é como mulher, lido com os dois da mesma forma.

Antes dele continuar, imagino que dirá que, como com uma mulher, o carro deve ser bem tratado, bem cuidado para, no caso do veículo, te levar em segurança para onde você quiser, etc, etc. Mas que nada...

- É como mulher. Não consigo ficar com ele mais de um ano, um ano e meio... Depois já troco logo.

- Ahhh tá... :-)

domingo, setembro 24, 2006

Imbróglios cariocas

Nem só por fatos graves é formado o imbróglio deste balneário. Fico imaginando a confusão no prédio...

(coluna de Anselmo Góis, sábado passado)

quinta-feira, setembro 21, 2006

Voyeurismo tupiniquim

Há, em âmbito nacional, duas polêmicas fervendo: a compra de um dossiê, por integrantes do governo federal, visando prejudicar o líder nas pesquisas paulistas para Governador, José Serra, e o vídeo em uma praia espanhola, estrelado por Daniela Cicarelli e seu namorado do momento. Como a primeira polêmica não escandaliza mais ninguém, visto ser apenas mais um capítulo de um lenga-lenga interminável (a novela “Até onde vai o PT”) vamos à segunda, muitíssimo mais interessante: as intimidades da mocinha, ex-mulher do fenômeno, que tem a boca desproporcional ao resto.

Ao assistir você ficou escandalizado(a)? ou melhor: você viu? Bem, eu vi. Vi, revi e... pô, não é tuuudo isso que estão falando. A praia era - aparentemente - pouco freqüentada e (o vídeo deixa claro) os dois tiveram o cuidado de se afastar do grupo com o qual estavam para começar sua... ah... dança do amor. Depois, resolveram entrar no mar e lá, com a maior discrição possível naquele cenário, prolongaram seu... enlace.

“Much ado about nothing” (ou quase nothing...), já disse Shakespeare.

terça-feira, setembro 19, 2006

"Uns dias chove, noutros dias bate sol" *

Cultivo uma suave pinimba em relação a certas expressões atuais que se tornam vícios de linguagem. “Vamos combinar” é uma delas (embora conheça gente boa que a use, vez por outra). “Vamos combinar”, além de ser usada a todo momento, me soa autoritária. O ouvinte não tem como mudar cláusula alguma do acordo; não é nada “combinado”. “Vamos combinar” é sempre uma introdução para uma sentença afirmativa, geralmente negando uma prática de um terceiro. “Vamos combinar que ela não está com essa bola toda!”; entendeu?

Não obstante (taí uma expressão clássica que gosto; “não obstante”...) essa introdução em repudio ao “vamos combinar”, ela nasceu justamente da vontade que tive em iniciar esse post com um “vamos combinar”. O motivo era comentar a Wikipédia. Iria começar - e enfim começo - com a seguinte constatação (viram? não estou querendo combinar nada! já estou constatando!): Vamos combinar que a Wikipédia tem utilidade mas também tem lacunas tenebrosas. Se não, veja só...

Iria escrever aqui sobre o clima no Rio de Janeiro, estranhíssimo nesses dias. Acordamos com tempo fechado, sem teto. Lá pelo meio do dia o céu está num profundo azul, um típico céu de outuno, temperatura amena. No entanto, se você caminhar um pouco que seja pela rua, começa a sentir calor (mesmo porque de manhã cedo colocou uma roupa mais adaptada àquele cenário chuvoso, invernoso). E aí você passa pelo Aterro e está cheio de ipês-rosas, com aquele tapete cor-de-rosa em volta, uma beleza. Tanta variedade de climas e cenários me fez imaginar que a cada dia estávamos passando pelas quatro estações e voltando a elas no dia seguinte. A idéia de “quatro estações” me lembrou a composição do músico italiano Vivaldi e achei que seria um bom tema para introduzir aqui no blog, o clima no Rio e, agora sim em maíusculas, “As Quatro Estações”. Procurando buscar maiores informações sobre a obra, entrei no Google. Está lá, em inúmeros sites, a famosa e popular obra de Vivaldi. Confiando na Wikipédia, escolhi a opção que aponta para a conhecida “enciclopédia livre”.

Pois, saiba: se você quiser encontrar alguma coisa sobre “As Quatro Estações” pela Wikipédia em português só vai ter informações sobre o quarto e homônimo disco do Legião Urbana! você ficará sabendo de vários detalhes sobre as composições de Renato (Russo) mas nada sobre o músico (italiano) do século XVIII. Se for um pouco persistente, terá que descobrir o nome original da obra (“le quattro stagioni”) para encontrar, finalmente, pouquíssimas linhas sobre o concerto barroco de Vivaldi.

A lição é aquela já antiga: tenha parcimônia com fontes na Internet; use a Wikipédia com seus instintos controlados; leve seu guarda-chuva consigo ao sair à rua e um casaquinho contra o frio, além de uma blusa apresentável por baixo. Nunca se sabe quando o tempo vai mudar...

* de "Meu caro amigo" (Chico Buarque)

segunda-feira, setembro 18, 2006

Dentro da novidade, uma coincidência

Ao escrever no título "novidade", lembrei-me da música homônima dos Paralamas & Gilberto Gil. "A novidade veio dar à praia / Na qualidade rara de sereia / Metade o busto de uma deusa Maia /Metade um grande rabo de baleia". Minha inovação não causará tanto espanto como o encalhe da sereia mas que é novidade, é!

Tive a idéia de criar exatamente aqui ao lado direito do post uma nova seção: "melhores momentos do imBLOGlio". É claro que tais "melhores momentos" vêm da minha interpretação personalíssima. É claro, também, que escrevemos coisas que julgamos ter alguma relevância. Daí que o que não consta em tal lista não descarto sob o título "bobagem" ou coisa que o valha. Na verdade há textos bem interessantes mas, cada um por seus motivos, não achei de tanta importância no momento. Ser datado, por exemplo, é um desses motivos excludentes.

A lista começa com a "livre adaptação", primeiríssimo texto do blog, num momento em que ninguém o conhecia. Decidi começar por ele (e agora incluí-lo como "melhor momento") pela diversão que tive ao elaborá-lo. Ele é, na verdade, um texto pré-blog. O escrevi há mais de um ano, numa época em que, nos momentos de total ócio, resolvia escrever histórinhas. A "livre adaptação" foi uma delas.

"Liberdade..." e "Estrada Real..." são textos que fiz com bastante emoção; ambos falam de Minas Gerais e minhas observações de pseudo (e atrasadíssimo) bandeirante.

Procurei incluir nessa lista o mínimo possível de textos "tristes", por assim dizer. A forte exceção é "As dores do Brasil". Foi escrito em homenagem a um rapaz desconhecido mas que seu destino, ao meu ver, sintetiza os desmandos que acontecem no Brasil.

Falando em pouca dedicação, "Falta de compromisso..." poderia ser rotulado como "datado" já que foi escrito horas depois da eliminação da seleção de futebol na Copa do Mundo. No entanto procurei expandir o significado de sua mensagem e acredito que o resultado tenha sido, ao menos, razoável.

O texto sobre aniversário (que, curiosamente, não tem título) foi escrito em terceira pessoa e acho que criei um cenário - facilitado por uma foto - bem próximo à realidade.

Enfim, são textos do imBLOGlio feitos até cerca de um mês atrás. Os muito recentes não inclui - daqui há uns meses tentarei aumentar a lista (se escrever algo que valha a pena no período). Espero que esse revival ofereça àqueles que os lerem o mesmo interesse e prazer que tive ao escrevê-los.

P.S. A coincidência foi que, enquanto relia os textos, me dei conta de que o blog completou seis meses de vida há poucos dias. É, portanto, uma novidade que marca essa data.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Procuro um vestidinho preto indefectível

Vez por outra vivo um breve e pequeno dilema. Aparece um disco (ops, coisas da idade, i’m sorry), um CD novo qualquer - ou mesmo um antigo, mas de meu interesse - e logo aciono o computador, abro o eMule e, dentro em pouco, já tenho todo o repertório em meu hard drive, prontinho para fazer parte da compilação do ipod. O dilema é: “mas isso não é justo com o compositor/cantor/grupo musical. É quase como comprar CD pirata na calçada”. Há algum tempo tive uma conversa sobre esse assunto com uma amiga que estava se sentindo culpada de haver baixado o novo disco (ah, vai “disco” mesmo) da Marisa Monte e, por ser tão bom, queria comprá-lo - como um agradecimento à cantora. Podemos argumentar que o preço de um CD é um absurdo e as gravadoras são milionárias. Mas por outro lado, o CD do camelô é algo que não paga imposto, é fruto de roubo ou contrabando, etc etc e, ao final das contas, é um gol contra a nossa, por vezes, precária economia. Mas além dessa justa questão há outra: e se (no caso de um lançamento) o CD for uma droga !?!?...

Passei por todo esse questionamento enquanto as músicas de “Carrossel”, novo álbum do Skank, eram baixadas. Gosto do grupo mineiro e vejo qualidade em várias coisas que já fizeram. O DVD/CD ao vivo em Ouro Preto é excelente, por exemplo. Como não lançavam nada já há algum tempo, a notícia desse novo trabalho me chamou a atenção...

Bom, o disco pode até virar um grande sucesso (sabe lá...), mas achei fraco. Todo disco é lançado com um número determinado de músicas mas outras tantas, compostas naquele período anterior ao lançamento, ficam de fora por vários motivos. Parece que esse novo álbum é o refugo de todos os discos que já lançaram até agora. Melodias chatas e letras... bem, letras indigentes! Estão rimando chão com não (“as garrafas jogadas no chão, as garotas vestidas ou não...”), pessoa com ressoa (“...no coração da pessoa, para fazer brilhar como um farol o som depois que ressoa”), bolso com rosto, (“quando caio do seu bolso, escorrego pelo rosto”; ah??) ou ainda apelando novamente para o “não” (fazer rima assim até eu...) em “O som da sua voz”: “Não me deixe na chuva, não. Não me tire do coração...”.

Concluindo: como o Skank 1- “tem gordura para queimar”, pelos sucessos anteriores e 2- é apoiado por uma grande gravadora, algumas músicas talvez até façam sucesso mas, num primeiro momento tive uma certa decepção (vai ver tudo isso é reflexo do astral do Samuel Rosa, já que ele disse outro dia estar desapontado com tudo e que não adiantava fazer músicas contestatórias porque nada mudaria mesmo). Então a mensagem de "Carrossel" (que é algo que roda, roda e não sai do lugar - será uma dica?) me parece: "não adianta me esforçar com 'pacato cidadão'... Então vai qualquer droga mesmo".

segunda-feira, setembro 11, 2006

O Folhetim de Terezinha

O primeiro lhe falou da imensidão do universo, explicou-lhe coisas sobre o espaço, a geologia e a atmosfera, explanou sobre teorias gerais e especiais, falou sobre o ano-luz e a relatividade do espaço e do tempo, comprovando que, em tese, poderia voltar àquele momento inicial em que a viu, asseverando que tal instante cristalizou-se em seu coração e mente.

Terezinha se afastou.

O segundo, bem romântico, comparou o brilho do luar com a luz de seus olhos. Jurou que, mesmo sem ter seu corpo por perto, a Lua e as estrelas, tão distantes, o fariam sentir-se mais perto dela. Afirmou com convicção que sabia que todo o cosmo havia sido confeccionado especialmente para aninhar sua existência e que seu amor por ela era o quinto elemento que faltava na natureza.

Terezinha declinou.

O terceiro disse que não se interessava em falar sobre o luar ou corpos celestes, amores ou teoremas. Mas confirmou que as estrelas e a Lua eram facilmente visíveis de sua cobertura na praia e que, se ainda assim fosse difícil vê-las, poderiam embarcar em seu jato e ir para uma de suas fazendas ou mesmo para a Polinésia Francesa, de onde ele jurava ser muito fácil ver o céu.

E porque a vida é dura e complexa, para esse Terezinha deu a mão.

-o-

(Terezinha até diria "sim" para outros, mas não era daquelas que se dariam apenas "por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema ou um botequim"; muito menos aceitaria "só uma prenda, ou qualquer coisa assim, como uma pedra falsa, um sonho de valsa, ou um corte de cetim"... Fred e suas citações buarquianas.)

terça-feira, setembro 05, 2006

Quando amanhã vai chegar?

O esguio e elegante jato ERJ-145, apelidado de “jet class” pela VARIG, decolou do aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, rumo ao Rio de Janeiro, aeroporto Santos Dumont. Estar naquele vôo, numa terça-feira de manhã, voltando de Minas Gerais, era algo completamente incomum mas o motivo foi relevante: o aniversário de minha (então) noiva havia sido na véspera e como iríamos nos casar dentro de menos de um mês, achei por bem estar junto à minha futura mulher, comemorando aquele último aniversário de solteiros. Dessa forma, estiquei o final de semana, conseguindo no tribunal permissão para não trabalhar na segunda-feira.

Já estava tudo pronto para o casamento (ou quase tudo): a viagem estava comprada, o apartamento reformado, a cerimônia e festa (em Belo Horizonte, naturalmente) faltando apenas detalhes. A vida seguia firme, estável e, a despeito da ansiedade crescente pelas núpcias, estávamos tranqüilos. Firme e estável, também, seguia o pequeno avião, em seu percurso de aproximadamente 50 minutos até o Rio de Janeiro.

Na hora certa, algo depois das nove, o avião tocou o solo carioca. Taxiou, parando a poucos metros do histórico prédio do aeroporto. Muitos podiam achar desconfortável aquele trajeto a pé entre a aeronave e o terminal mas eu adorava, quanto mais em um dia como aquele, com o céu profundamente azul, o suave sol de setembro aquecendo com delicadeza a cidade. Observei o Pão de açúcar enquanto caminhava, a cidade merecendo o antigo título de maravilhosa.

Após pegar na esteira minha bolsa de viagem, fui para a fila do táxi. Tinha que ir trabalhar, mas como morava próximo ao centro, no Flamengo, decidi passar em casa antes. Mantive algum assunto banal com o motorista, talvez sobre o tempo no final de semana, talvez sobre futebol. Sobre nada mais falamos pois era, afinal, uma terça-feira qualquer.

Ao chegar em casa, cumprimentei usualmente o porteiro. Morava sozinho e, por isso, ninguém me esperava, a não ser o telefone que – por acaso? – tocava naquele momento. Atendi. Do outro lado, o velho amigo, Cayo, esbaforido: “Fred, você sabe o que está acontecendo??”; “Não, não sei. O quê?”; “Você NÃO SABE o que está acontecendo ??!?!?!!!!!!”; “NÃOOO!!! Eu-não-sei!!! O que está acontecendo?!; “MAS VOCÊ NÃO SABEEE !?!?!”. (De verdade, pensei: “meu deus, alguma tragédia colossal, mas em um dia assim?!”). “Cayo, eu NÃO TENHO IDÉIA sobre o que esteja acontecendo! Me diz logo!!!!”; “Liga a televisão”.

Há poucos minutos o segundo avião havia atingido a torre sul. Todos os canais repetiam a cena. Era muito estranho: algum piloto havia errado e batido em cheio no World Trade Center. Mas outro iria errar logo assim em seguida?? Imediatamente o mundo se deu conta de que não havia acidente algum e sim a implementação do terror como divisor de águas. Aquela linda manhã no Rio de Janeiro e em Nova Iorque marcava o primeiro dia de uma época de medo, ódios e preconceitos, mesclados à desconfiança e incerteza.

Quando tudo aconteceu, eu estava dentro de um avião, placidamente voltando para casa. Foi um dia tão marcante que nos faz lembrar de tudo o que fizemos, o que pensamos e sentimos. A clareza daqueles momentos em nossa mente dá a impressão de que não se passaram cinco anos. E, de fato, para mim, aquele 11 de setembro de 2001 continua até hoje e não há a menor previsão de que consigamos cruzar a meia-noite.

(tirei a foto que aparece no início do texto em setembro de 1995. Quem poderia imaginar aquilo ali, exatos seis anos depois?...)

domingo, setembro 03, 2006

Shy moon, hiding in the haze / I can see your white face

Olá, peço desculpas pela ausência. Estou devendo um post sobre o tema "trabalho", como escrevi no final dos comentários do taciturno texto anterior.

Vou escrever, já há um rascunho pronto (mas estou um tanto sem inspiração para desenvolvê-lo e – oba, uma coisa positiva! – ando envolvido com a troca do meu carro. Pois é, nós, meninos, costumamos dar muita atenção a essas coisas. Já ouviu aquela história sobre o que muda é o preço dos brinquedos, não ouviu? pois é). O tema “trabalho” não tem nenhuma relevância direta por esses dias (não é dia 1° de maio, por exemplo), mas existe uma questão que costuma me intrigar e quero contar. Em breve.

-o-o-

Já que dei uma dica gastronômica dia desses (sobre a pizzaria no hotel intercontinental), dou outras, por onde passei essa semana. Comida oriental (chinesa e japonesa) em serviço tipo buffet, com preço e sabor bem camaradas: térreo do Rio-Sul, restaurante Taiping (dica: peça os espetinhos de camarão e frango, além de giozas, que não estão expostos mas fazem parte do Buffet, assim como as sobremesas). Outra: menos popular porém de alta qualidade, a Casa da Suíça, ali na Glória. Fondues de tipos variados e inspiradora carta de vinhos.

-o-o-

Algum assistiu ao jogo do Brasil e Argentina? Tivessem jogado assim na Copa e eu não precisaria ter escrito aquele texto após o jogo contra a França .

(a foto lá em cima não tem a ver com esses assuntos. No entanto, gostei da noite com a Lua envergonhada – Shy Moon – escondendo-se atrás da Pedra da Gávea. Achei-a bonita e resolvi compartilhá-la. É claro que fica mais atraente em um tamanho maior, mas esse já dá uma idéia, ao menos)

quarta-feira, agosto 30, 2006

Hope you guess my name

Sei que as pessoas, em geral, não querem entrar em blogs para se estressar com assuntos graves. Há uma natural predileção por questões leves e, de preferência, recheadas de humor. Mas hoje não vou corresponder a essa espectativa.

Preciso falar sobre isso que se vê na foto acima, capa do jornal O Globo dessa terça-feira. Sei que tal cena se repete diariamente no mundo e, em especial, no Rio de Janeiro. A diferença é que na maioria dos casos não há a lente da imprensa – ou lente alguma. Como a Pietá, a mãe chora a morte do filho, em sua dor inconcebível. Poderão dizer, como autodefesa: “É uma tragédia mas, ah, acontece a todo momento e sabe-se lá o motivo do assassinato. Ouvi dizer que foi encomendado...”. Sim, nossos corações se petrificam para manter algum equilíbrio na mente já que insistimos em conviver com a insanidade dessa sociedade toda errada, ao avesso, revirada, amarfanhada, mofada.

Mas, espere, o dia não terminou! à tarde, completou-se a barbárie; chegou nova notícia: na noite de segunda-feira as pernas de uma mulher, empresária, foram encontradas em um saco, em botafogo. Ao lado, sua bolsa, com todos os documentos e pertences, para haver certeza de que o fragmento de corpo seria rapidamente reconhecido, como se o homicida dissesse “sim, não tenha dúvida. É ela”. “Ela”, uma senhora de 50 e poucos anos que havia sumido desde a manhã de segunda. A família estranhou quando ela não apareceu no aeroporto às 18:30 horas para se despedir da filha que foi passear em Buenos Aires. Perto da meia-noite, o pai, junto ao que encontrou da mulher, liga para a filha na Argentina e transtornado, de acordo com o jornal, explica: “Aqui está tudo mal; sua mãe está morta”.

Ao motivo, ao modo, à execução do fato, nem quero me ater. Penso apenas em questionar sobre “onde vamos parar” mas, posso me dar ao luxo de achar que ainda há um destino? já não chegamos à estação terminal? há algo além? o que há por baixo disso? há lugar pior, há dor mais lancinante? há pesadelos mais sombrios, desamor mais profundo, desapego à vida alheia mais abissal? Ah... não... quero me desvencilhar desse assunto, não posso me concentrar.

Me vêm à mente “Sympathy for de Devil” e “Welcome to the Jungle”. Por ora, não é nada mais além disso. Sinceramente, me desculpe.

Please allow me to introduce myself / I'm a man of wealth and taste / I've been around for a long long year / stolen many man's soul and faith // Pleased to meet you / Hope you guess my name... / But what's puzzling you / Is the nature of my game (Por favor, deixe-me apresentar / Sou um homem rico e de bom gosto / Estive por aí por muitos anos / Roubei a alma e destino de muitos homens // Prazer em conhecê-lo / Espero que adivinhe meu nome... / Mas o que está o intrigando / É a natureza de meu jogo)

Welcome to the jungle / We got fun 'n' games / We got everything you want / Honey we know the names / We are the people that can find / Whatever you may need / If you got the money, honey / We got your disease (Bem-vinda à selva / Nós temos diversões e jogos / Nós temos tudo que você quiser / Querida, sabemos os nomes / Nós somos as pessoas que podem encontrar / Tudo o que você precisar / Se você tem o dinheiro, querida / Nós temos sua doença)

sábado, agosto 26, 2006

Assuntos diversos

Lembrei, na hora que vi, do velho e conhecido ditado "quem foi rei nunca perde a majestade". Nessa sexta-feira foi transportada pelas ruas do Cairo uma gigantesca estátua (83 toneladas de mármore purinho...) de um dos maiores faráos do Egito, Ramsés II. A estátua, que ficava em uma praça central da cidade, foi deslocada em um monumental cortejo, por 35 km, para uma área próximas às famosas pirâmides, fora da capital. O motivo: a poluição que, constataram, estava degradando o tesouro. Imagino que Ramsés nem iria se surpreender se soubesse que sua estátua estava tão cercada de cuidados 3.300 anos após a sua morte. Afinal, ele era o faraó. Incrível...

-o-o-

Li no Globo de hoje uma frase que espelha a pura verdade dessa nossa terinha: "é mais fácil cassar um planeta no Universo [plutão] do que mensaleiros e sanguessugas em Brasília". É uma falta de vergonha ALIADA (e isso é importante!) à falta de brio de todos nós, brasileiros. Há movimentos correndo aqui pela internet e pelos blogs em especial, de revolta. Vamos ver no que isso vai dar. Posso estar bem errado, mas me parece que sem uma profunda ruptura "com o que está aí", nada muda. "Profunda ruptura" é coisa grave e poderia até fazer piorar. Por isso não sei se é o melhor caminho. Mas parece que atualmente qualquer opção é inócua.

-o-o-

Falando ainda sobre Brasil, mas com um enfoque menos "universal" (apenas internacional), e já que falei de cortejo e sobre as vicissitudes do nosso país, lembrei de duas histórias (uma lida, outra ouvida nessa semana) e que se reuniram em mim, demonstrando bem essa coisa de "terceiro mundo" x "primeiro mundo": nosso Presidente da República esteve dia desses no Rio; compareceu a um evento no Riocentro e, mais tarde, voltou até o bairro de São Conrado, onde teve um encontro com "personalidades" da política e cultura, na casa do ministro Gilberto Gil. Minha amiga Carla me contou que a comitiva presidencial, atravessando a Barra da Tijuca pela avenida das Américas ia fechando tudo, transformando o trânsito já lento (por conta de uma infinidade de sinais) em um enorme estacionamento fora de hora e de local. No dia seguinte leio no blog do jornalista José Meirelles Passos (http://oglobo.globo.com/blogs/passos/) uma história sobre como a polícia da Virginia (EUA) impediu que a comitiva de mr. Bush fechasse uma concorrida highway para que a limosine presidencial pudesse ir e voltar rapidamente de um compromisso naquele estado americano. A Casa Branca pediu, o serviço secreto, CIA e o escambau mas "nananinanão", disse a polícia local. O supremo mandatário norte-americano foi convencido de que, afinal, não seria uma boa idéia tal interrupção quando lembraram que isso poderia ter reflexos ruins nos noticiários de TV. Finalmente Bush fez o óbvio: pegou um daqueles helicópteros "estribados" (gíria mineira) nos gramados da White House e foi cuidar da sua vida lá na Virginia.

Sim, os EUA têm 1000 defeitos que podemos elencar aqui, rapidamente. Mas esse é o tipo de coisa que deixa o contribuinte e cidadão em paz e satisfeito. Enquanto isso, por aqui, vale mesmo o "sabe com quem está falando?". Ah, tristeza...

-o-o-

Engarrafamento de helicópteros, já que falei neles. São 12:05 PM, tarde maravilhosa de sábado; o tráfego nos helipontos da Lagoa está frenético. Os helicópteros passam pertinho daqui de casa e lá do outro lado da Lagoa observo a Rocinha, pedra da gávea, morro dois irmãos. "It's a wonderful [and complex] world"...

-o-o-

E também aproveitando que já falei em São Conrado e Rocinha, ontem à noite fui a uma pizzaria no hotel Intercontinental, aquele - para quem é do Rio e tem trinta e tantos/quarenta anos - da boate Papillon. Servem pizzas em sistema rodízio e tem um preço muito bom. O restaurante, dentro do hotel, chama-se "Varanda". Boa pedida para fazer bonito com o(a) namorado(a), mulher(marido), amigo(a) e outras classes de relacionamento que não ouso citar visto ser esse um blog sério e de família.

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Vou daqui a pouco lá na Velox... vou me matricular... engraçado como fico um tanto apreensivo com isso; como se fosse uma nova fase da vida. Qualquer dia desses conto sobre as primeiras impressões (e dores).

quinta-feira, agosto 24, 2006

Cheio de graça...

Compulsando uma petição daqui, um recurso dali, descobri um nobre causídico com sobrenome “cusano”. Até aí, a despeito de possíveis analogias sonoras e gracinhas colegiais, é um nome, como outro qualquer.O problema aparece quando os membros da família são citados em grupo, ou seja, quando o nome é colocado no plural. Vira um pleonasmo. Uma redundância.

Uma “redondância”, por sinal.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Festa muito boa

A história que se segue é retrato fiel da realidade; aconteceu em um ponto de ônibus do Rio de Janeiro, há alguns anos.

Segunda-feira de manhã cedo, a moça chega ao ponto, repetindo seu trajeto diário para o trabalho. Perto dela, duas garotas conversam: “E a festa, hein?! Estava ótima, né?! O pessoal gostaram!”

Aquela dissonante discordância fez a primeira moça sair de seu torpor matinal, apurando a audição do colóquio: “O pessoal todo gostaram? O pessoal todo gos-ta-ram?” - assustou-se a outra menina.

A curiosa ouvinte sentiu alívio; aquele tosco engano gramatical seria consertado. No entanto, arrematou a garota, ainda indignada:

“O pessoal todo gostaram? pô, o pessoal a-do-ra-ram !!!!”

terça-feira, agosto 22, 2006

O conforto do frio

Não tenho predileção por esta ou aquela estação do ano. O calor do verão tem seu lugar no rol de programas e possíveis viagens (viagens!), naquele período que se estende das festas de fim de ano até a quarta-feira de cinzas, e o charme do inverno é anualmente bem-vindo, na serra e seus fondues ou, à distância, na neve e seus tombos. Fico com essas duas estações porque aqui no Rio é só o que há, praticamente. Há, sim, uma luz especial nos finais de tarde de outono mas passam tão rápidos... e já estamos no inverno. Já estamos? Bem, ao menos no calendário. O frio (entenda-se “frio de Rio de Janeiro”) tem andado envergonhado, tímido, recluso no extremo sul. Mas nesse domingo, para meu gáudio – e alívio – ele chegou.

Aparentemente aqui, em contraponto ao início do texto, coloco-me a dizer que gosto em especial do frio. Não, não; mantenho a afirmação inicial. O que acontece é que o friozinho no inverno e o calor de início de ano me tranqüilizam. O clima anda cada vez mais desconcertante e, ao mesmo tempo, extremado. O calor vem como um maçarico celeste e o frio é de mamute congelado em banquisa. Mas o pior é que quando se espera um, muitas vezes surge o outro. Quando o outro “é certo”, eis que o guarda-chuva (ou a camiseta) tornam-se inúteis. Esse frio "dentro de hora" me faz acreditar que as coisas continuam num rumo certo. Ao menos o clima.

É bom sentir esse friozinho que chegou à cidade. O vento entra assobiando pela fresta da janela, que insisto em deixar entreaberta para ouvi-lo e senti-lo. Estamos no inverno! Então que a estação faça por onde e o clima, repetindo-se ano após ano, seja um elemento de equilíbrio do mundo, como um filme repetido indefinidamente por uma criança, trazendo-lhe confiança e conforto.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Explique já essa selathirupavar!

Nós, brasileiros, temos essa mania de dizer que só existe “saudade” em português, que “saudade” é um termo intraduzível e, perfeito sofisma, isso comprovaria (?!) nossa tendência à nostalgia, às doces lembranças, ao banzo dos “bons tempos” e, no final das contas, demonstraria nossa suave alma, bem-humorada, com um malemolente descompromisso com as “agruras da vida” e inata predisposição para o bem-viver.

É claro que existem termos em qualquer língua que expressam essa lembrança nostálgica. Quando se fala que não se pode traduzi-la estamos observando o contexto cultural do termo, o papel em uma determinada cultura, muito mais que seu “habitat” gramático.

A agência Today Translations, www.todaytranslations.com, elaborou uma lista de "palavras difíceis de traduzir para o inglês". Entre elas está a nossa “saudade”. Temos, além dela (e aqui já transliteradas para o português): “radioukacz”, telegrafista dos movimentos de resistência no lado soviético da Cortina de Ferro (polonês); “ilunga”, pessoa que perdoa a primeira e a segunda ofensa mas não uma terceira (tshiluba, língua da família Bantu); “altahmam”, uma forma específica de tristeza profunda (árabe); “selathirupavar”, certo tipo de falta injustificada (tâmil; língua falada no sul da Ásia), entre outras.

Podemos saber o que significa o termo tâmil “selathirupavar” mas não conseguimos apreender o significado social, emocional, para seus falantes. Provavelmente “saudade” evoca em nós, emotivos latinos de língua lusa, reações diversas das que seriam registradas em indianos, malaios, vietnamitas, etc.

E pronto, chega de saudade.

Alô, alô ceresiano

Como deixei implícito há alguns posts abaixo, ao falar sobre Stephen Hawking, tenho interesse nas questões “fundamentais” para o Homem, procurando entendê-las por um viés científico (o que não significa dizer que rejeito as demais abordagens; geralmente escolho o método científico simplesmente porque, enquanto o pressuposto é válido, não se admite discussão. Se houver contraprova positiva, muda-se de entendimento. As outras abordagens sobre as “questões fundamentais”, embora não admitam discussão, acabam justamente por ensejar muita polêmica e nem sempre estou a fim disso).

Toda essa loquacidade é para dizer que me chamou a atenção o desenho estampado na primeira página d’O Globo de hoje, com a proposta para o “novo” Sistema Solar. Aquela gravura me fez divagar, sair das provocações, obrigações e provações do dia-a-dia e pensar onde vamos parar, em todos os sentidos.

terça-feira, agosto 15, 2006

Horário eleitoral gratuito

E tudo recomeçou. Podemos dizer que esse é o primeiro horário político dos tempos do blogue ou, ao menos, dos tempos da explosão dos blogues. Poderemos acessar blogs de conteúdo exclusivamente político ou nossos blogues “genéricos” e dialogar, discutir, descobrir a opinião dos outros. Mas, com ou sem blogues, sites, chats, spans ou que tais, a verdade é que esse horário eleitoral gratuito é uma droga.

Quarta-feira, 7:20 da manhã (ou melhor, para mim: “da madrugada”). Ligo o rádio do carro no caminho do trabalho para ouvir as notícias na BandNews FM. Levo um susto desavisado: tem um candidato querendo me convencer! Indignado e repleto de vã e irrefletida esperança, troco de estação. “Mas que nada”, diria o Sérgio Mendes. O candidato está em rede, o cidadão aqui tem a opção de ouvi-lo ou... escutá-lo! desligo. Avanço pelo Aterro pensando nas razões democráticas para tal abuso.

Voto obrigatório e horário eleitoral gratuito goela abaixo: por que esses anacronismos têm tamanha persistência?

domingo, agosto 13, 2006

O Cirque du Claudiô

Talvez você tenha lido e até visto alguma foto do lavrador de Juiz de Fora que veio para o Rio em uma carroça, com dois de seus quatro filhos, um de cinco e o outro de seis anos. Os outros dois, ainda menores que esses, ficaram em Minas com a ex-mulher. Para quem não soube, um resumo.

O lavrador mineiro Cláudio Márcio da Silva chegou há cerca de uma semana ao Rio de Janeiro após um mês viajando pela BR-040 desde Juiz de Fora. Cláudio enfrentou a longa jornada com pouquíssimos pertences e tendo que contar com a ajuda das pessoas que encontrou pelo caminho para conseguir alimento para si, os dois filhos e para a égua Darlene, companheira de longa data na roça e que foi incumbida de vir ao Rio de Janeiro transportando a família. Ao chegar ao Rio, Cláudio conheceu em um subúrbio uma jovem de 17 anos, grávida, que juntou-se à trupe. A presença de Cláudio chamou a atenção da imprensa e dos cariocas em geral, em vista da inusitada presença de um grupo mambembe descendo a movimentada avenida Presidente Vargas, no centro do Rio, em uma carroça. A intenção de Cláudio era ir morar na Rocinha, no bairro de São Conrado. Em seu caminho rumo à famosa favela Cláudio descobriu que não teria como subir com sua carroça e égua e, em vista disso, fez o caminho de volta para o subúrbio, indo morar de favor em uma favela chamada “Pára-Pedro”, próxima à CEASA da avenida Brasil, conseguindo abrigo com um amigo que fez durante a jornada entre Juiz de Fora e o Rio de Janeiro.

Dentro do complexo panorama que compõe o Brasil, é curioso notar que ao mesmo tempo em que, de forma anônima e inocente, o grupo de Cláudio chegava à cidade grande, aportava no Brasil a companhia do Cirque du Soleil. Enquanto o grupo canadense vem, a reboque de sua imensa e merecida fama, apresentar o espetáculo "Saltimbanco", a trupe capitaneada por Cláudio chegava atrelada à égua Darlene, vindo tentar “vencer na vida”, como Cláudio afirmou à reportagem de O Globo.

No entanto, se o Cirque du Soleil mantém sereno controle sobre sua reputação e glória, não se pode dizer o mesmo de Cláudio sobre Darlene. Nesta sexta-feira o lavrador teve sua carroça e égua roubadas quando deixou-as presas apenas com uma corda, na CEASA, onde foi à procura de algum trabalho, sem imaginar que poderia ser assaltado.

A insólita e ingênua aventura do carroceiro sofreu um forte abalo. Levaram a “tenda” de seu grupo saltimbanco e agora sua inglória missão na cidade grande pode ter definitivamente terminado. “O show não pode parar” mas no caso de Cláudio parece que infelizmente nem teria como começar.