terça-feira, junho 06, 2006

Jogos modernos

Não me pergunte pelo nome de alguma música. Não me peça para cantar um refrão ou cantarolar uma melodia. Não tenho a menor idéia sobre suas composições e, seu maior sucesso, do qual escutei um trecho nesses dias, nunca tinha ouvido.

Mas me lembro do Rodrigo - embora não recordasse espontaneamente seu nome - com seus dez ou onze anos, jogando video game com meu irmão, lá na Morada do Sol, em botafogo.

Eu, já adolescente, costumava ir lá visitar meu pai, meus irmãos. Algumas vezes encontrei com o Rodrigo, futuro (e agora ex) guitarrista dos Detonautas, um garoto simpático e educado. Sua expressão já era essa que vimos aí nos jornais, embora sem a cabeleira, essa longeva marca registrada da rebeldia do rock.

Isso foi há quase vinte anos. Tudo mudou, até os games. Hoje a sua temática é sobre combates de infantaria, rachas de automóveis, simuladores de batalha. Naquela época os garotos, lá no bloco B do enorme condomínio, jogavam "Mr. Postman", onde um personagem pré-Mario Bros tinha que percorrer caminhos sinuosos para entregar uma correspondência...

O caminho do Rodrigo Netto terminou, foi terminado. E a gente se mantém inerte, só se perguntando quando será a nossa vez e, quando chegar, como será nossa reação.

5 comentários:

J@de disse...

É... sem muito o que comentar... é pior quando é alguém que foi próximo, mesmo sem ter sido amigo... que Deus tenha piedade de nós...
Beijos!!

Cunegundes disse...

Pois é, Frederico. É muito triste...
Engraçado que há poucos dias escrevi sobre minha paixão pelo Rio, depois de uma passagem de 2 dias por aí. E falei da minha "falta" de medo de andar na cidade. Aí, quando acontecem fatalidades como esta (que não são raras), sinto um alívio de não morar mais aí; mas ao mesmo tempo me preocupo com meus amigos e com a família. E rezo que todos terminem o dia bem. Lamentável mesmo.

luma disse...

Parece que a frase: "Estava na hora e lugar errado" não se aplica mais. afinal, todos os lugares e horas corremos riscos. Mais um que entrou pra estatística. Até quando ficaremos à mercê de um Estado que não cumpre as suas obrigações?
E a família sofre!
Beijus

Dani Faria disse...

Tudo é lamentável. Me sinto meio que de luto por tudo que tem acontecido no nosso país e que ainda vai acontecer. Pobre Rodrigo, pobre assassino que não tem a menor noção do valor verdadeiro da vida. Pobre de todos nós que temos que viver isso.
E o Senado hein? Chorei novamente. Chorei pela falta de liberdade que está se aproximando de nós novamente. Beijos!!!

Tê Granato disse...

No dia da morte desse menino, logo cedo quando peguei o jornal,minha filha adolescente ficou chocadíssima pois ele fazia parte integrante do mundinho dela...ela até chorou..eu fui bastante fria...e lhe respondi..ele aparece porque é famoso..mas diariamente morrem pessoas aqui no Rio de maneira até mais violenta que esta e ninguém noticia..naõ aparece nos jornais e ninguém chora por eles...esses sim são até menos que um número nas estatísticas, menos porque não aparecem, não são contados..ela me perguntou o porquê e eu falei a dura e crua verdade:porque são pobres e pessoas comuns ,não vale a pena o jornal gastar páginas com eles...ela ficou parada pensando séria. Dei-lhe um abraço forte e ela passou o dia pensando...