quinta-feira, abril 26, 2007
Planos
segunda-feira, abril 23, 2007
Fotocopiando
"O mundo me condena / E ninguém tem pena / Falando sempre mal do meu nome / Deixando de saber se eu vou morrer de sede / Ou se vou morrer de fome. // Mas a filosofia hoje me auxilia / A viver indiferente assim. / Nesta prontidão sem fim / Vou fingindo que sou rico / Para ninguém zombar de mim. (...) Quanto a você da aristocracia / Que tem dinheiro mas não compra alegria / Há de viver eternamente sendo escrava / desta gente que cultiva hipocrisia." "Filosofia", de Noel Rosa, depois gravada no início dos anos 70 por Chico Buarque.
Tal reunião de idéias ficou (aí está!) maturando em minha mente. Cheguei a escrever um texto que ficou no estágio de "rascunho" sobre tal "esporte nacional", dando até um exemplo - omitindo nomes, decerto - que havia presenciado por aqueles dias, ou seja, a maledicência por ela própria, o falar mal como passatempo, hobby, questão provavelmente associada a frustrações íntimas.
Terminava o tal rascunho alertando sobre o perigo fortíssimo de embarcar nessa corrente de fluxo intenso, comparando-a com a Corrente de Golfo, que nasce do lado "de cá" do oceano Atlântico e vai influenciar no clima da margem oposta, lá para cima, na Europa. Seria, portanto, como tal irresistível corrente, um hábito quase inescapável, visto que o indivíduo se forma em meio a uma sociedade que pratica, assidua e fervorosamente, o ato do mal-dizer e da fofoca (aliada à inveja, provavelmente). E, como arremate, de certa forma defendia a cada um de nós, dizendo que as pessoas não querem imaginar que longe de seus olhos os outros (exercitando o esporte nacional) comentem sobre seu jeito diferente, sua postura... "alienígena" frente às diversas questões. Assim sendo, amoldam-se aos "valores" amplamente praticados, camuflando-se como mais um elo da ampla "rede de intrigas" e mexericos - por sinal, institucionalizados em programas de TV, jornais, revistas e, jóia da coroa, no horário nobre da Globo, no BBB, em todo início de ano. Melhor aprendizado da arte "da maledicência e da mobilização de forças em pequenezas", temos que admitir, não existe.
Escrevi mais ou menos tudo isso mas deixei no word.
A questão me voltou à mente com força após ler o texto que a jornalista Martha Medeiros escreveu na Revista O Globo do último domingo. A crônica fala de uma experiência no metrô de Washington que constou em levar um dos maiores violinistas do mundo, tal de Joshua Bell (de quem a jornalista também admite nunca ter ouvido falar), para tocar em uma estação daquela cidade. Consta que o sujeito tocou por todo o dia e mais de mil pessoas passaram por ele. Seguem-se números sobre a experiência mas o fato resumido é que só uma dúzia parou para ouví-lo e um número menor ainda jogou-lhe algumas moedas que, à vista dos passantes, era o que valia tal apresentação.
Tal experimento não visa a defenestrar os usuários do metrô, nomeá-los de idiotas que dão valor somente àquilo a que os outros dizem ser bom, ótimo ou - o ideal - excelente. Antes, procura demonstrar que até mesmo nosso senso estético pode e deve ser apurado e como se dá a valoração das coisas pelas pessoas. A jornalista afirma, possivelmente repetindo conclusões do estudo, que "só é possível valorizar aquilo que foi estudado e percebido em sua grandeza", fazendo, ainda, uma afirmação que cria a ligação com aquela primeira questão deste texto: "(Essa história) demonstra também que temos sido treinados para gostar do que todo mundo conhece".
Todos sabemos - e obviamente a própria Martha também - que não há um "gosto único". As pessoas apreciam programas variados. Mas não se pode negar que há um mainstream, um fluxo central de comportamento em uma sociedade. As pessoas, naturalmente, são influenciadas umas pelas outras e pela propaganda direcionada (e não apenas a espontânea do boca-a-boca). E de boca em boca, e reclame em reclame, as preferências e práticas vão se consolidando.
Fazemos muitas coisas porque "estão aí", estão acontecendo, estão - em suma - na moda. Então repito que, da mesma forma, podemos acabar - se não ficarmos atentos - entrando "na moda" de falar mal da vida alheia, dizendo o que muitos querem ouvir porque, ao final das contas, eles também seguem, inercialmente, "o esporte nacional da maledicência e da malquerença; a mobilização de forças em pequenezas". Não conseguiria dizer melhor.
-o-o-
Transcrevi no início destes escritos um trecho do samba "Filosofia", de Noel Rosa. De todo aquele período acho mais relevante para essas minhas idéias aqui a parte que diz "Nesta prontidão sem fim / Vou fingindo que sou rico / Para ninguém zombar de mim". É exatamente desse mimetismo imposto a todos e por todos que estive a escrever. No resto, deixo-me discordar. O aristocrata não é necessariamente um fingido, um infeliz em meio à hipocrisia. Pessoas são forjadas para diversos papéis em uma sociedade. O que é luxo e glamour desnecessário para muitos, pode não ser, sinceramente, para outros. E termino com essas considerações por ter assistido há pouco o filme "O Diabo veste Prada", cujo final achei ridículo.
quinta-feira, abril 19, 2007
Não resisto: Invento bom pra cachorro!
O talento inovatório humano, atrelado a novas tecnologias, inegavelmente sempre expande os limites de nossos horizontes, fazendo surgir "coisas que até deus duvida", diriam.
Eis que uma empresa nos Estados Unidos - onde mais?!? - acaba de lançar um objeto que vai ao encontro do anseio de inúmeros cães solitários em todos os rincões desse nosso planeta.
O bem em questão chama-se "hotdoll" - embora deva receber as mais variadas alcunhas por seus futuros donos (sempre ao gosto de seus pares, naturalmente). Hotdoll é feita de material plástico e coberta por uma camada gelatinosa, o que lhe confere agradável maciez.
Hotdoll possui um orificio traseiro (à esquerda na foto) que proporciona uma experiência mais realística para o cachorrinho enamorado.
E eu achando que o post anterior é que falava sobre modernidades...
É...
sexta-feira, abril 13, 2007
Novíssimos tempos

(Declaração efetuada nessa semana, autoria de "X", mocinha de 12 anos cuja mãe mora em outra cidade)
Me permito destrinchá-la (a frase, não a mãe, a outra cidade ou muito menos a mocinha): "minha mãe vem aí (...) com o namorado"; ok, uma frase corriqueira já há algumas décadas. Mas que, ainda assim, foge ao padrão "histórico". Continuemos.
"Minha mãe vem aí com o namorado que ela não gosta". Hum... então há outro consorte mas, por motivos até então ocultos, ela vem com o menos... prestigiado. Além disso, por que namorar alguém de quem não se gosta? ah, aí é mistério insondável... Vamos em frente, em busca de alguma elucidação.
"(Ela) vem aí com o namorado que não gosta porque o que ela gosta é casado". "Buemba, buemba", diria José Simão. Eis então que, recapitulando, a mãe namora; com dois; mas gosta só de um; que é casado; e a filha sabe!