
Preciso falar sobre isso que se vê na foto acima, capa do jornal O Globo dessa terça-feira. Sei que tal cena se repete diariamente no mundo e, em especial, no Rio de Janeiro. A diferença é que na maioria dos casos não há a lente da imprensa – ou lente alguma. Como a Pietá, a mãe chora a morte do filho, em sua dor inconcebível. Poderão dizer, como autodefesa: “É uma tragédia mas, ah, acontece a todo momento e sabe-se lá o motivo do assassinato. Ouvi dizer que foi encomendado...”. Sim, nossos corações se petrificam para manter algum equilíbrio na mente já que insistimos em conviver com a insanidade dessa sociedade toda errada, ao avesso, revirada, amarfanhada, mofada.
Mas, espere, o dia não terminou! à tarde, completou-se a barbárie; chegou nova notícia: na noite de segunda-feira as pernas de uma mulher, empresária, foram encontradas em um saco, em botafogo. Ao lado, sua bolsa, com todos os documentos e pertences, para haver certeza de que o fragmento de corpo seria rapidamente reconhecido, como se o homicida dissesse “sim, não tenha dúvida. É ela”. “Ela”, uma senhora de 50 e poucos anos que havia sumido desde a manhã de segunda. A família estranhou quando ela não apareceu no aeroporto às 18:30 horas para se despedir da filha que foi passear em Buenos Aires. Perto da meia-noite, o pai, junto ao que encontrou da mulher, liga para a filha na Argentina e transtornado, de acordo com o jornal, explica: “Aqui está tudo mal; sua mãe está morta”.
Ao motivo, ao modo, à execução do fato, nem quero me ater. Penso apenas em questionar sobre “onde vamos parar” mas, posso me dar ao luxo de achar que ainda há um destino? já não chegamos à estação terminal? há algo além? o que há por baixo disso? há lugar pior, há dor mais lancinante? há pesadelos mais sombrios, desamor mais profundo, desapego à vida alheia mais abissal? Ah... não... quero me desvencilhar desse assunto, não posso me concentrar.
Me vêm à mente “Sympathy for de Devil” e “Welcome to the Jungle”. Por ora, não é nada mais além disso. Sinceramente, me desculpe.
Please allow me to introduce myself / I'm a man of wealth and taste / I've been around for a long long year / stolen many man's soul and faith // Pleased to meet you / Hope you guess my name... / But what's puzzling you / Is the nature of my game (Por favor, deixe-me apresentar / Sou um homem rico e de bom gosto / Estive por aí por muitos anos / Roubei a alma e destino de muitos homens // Prazer em conhecê-lo / Espero que adivinhe meu nome... / Mas o que está o intrigando / É a natureza de meu jogo)
Welcome to the jungle / We got fun 'n' games / We got everything you want / Honey we know the names / We are the people that can find / Whatever you may need / If you got the money, honey / We got your disease (Bem-vinda à selva / Nós temos diversões e jogos / Nós temos tudo que você quiser / Querida, sabemos os nomes / Nós somos as pessoas que podem encontrar / Tudo o que você precisar / Se você tem o dinheiro, querida / Nós temos sua doença)