quinta-feira, julho 27, 2006
Um pouco mais
segunda-feira, julho 24, 2006
V de Viver
Você viaja, vê vocábulos “vips”, vozes vigentes, vinhetas versadas. Veloz, velejei valentes vagas, ventania verberando velame . Varonil, visitei verdejantes várzeas. Vi variantes, versões. Vaguei verdejantes vales, vilarejos. Viajei viaturas, vapores, vagões, viações.
Viajar: vale vinte vinténs? Viajar: valiosa, venturosa vivência. Ver, voltar, vice-versa: vício vitalício. Vida.
sexta-feira, julho 21, 2006
¡Muy amable!

sábado, julho 15, 2006
Breve recesso

Saio de férias por uns dias, férias merecidas e que pedem urgência, como costuma ser.
Vou conhecer novo lugar, cada passo será uma descoberta, um ângulo novo de algo desconhecido mas tão presente: a vida.
Trilhar novos caminhos... ah, necessidade tão fundamental!
(trilhos da linha férrea próxima ao centro de Barbacena, naquele dia.)
terça-feira, julho 11, 2006
As dores do Brasil
5 – Dois rapazes chegam do exterior, de viagens distintas. Suas malas aparecem abertas na esteira da área de desembarque; perfumes, pequenos presentes e um laptop “último modelo” desapareceram. As companhias aéreas afirmam não terem responsabilidade sobre os bens. Tampouco é responsabilidade da empresa de infra-estrutura aeroportuária. Se os viajantes quiserem algum ressarcimento provavelmente terão que procurar seus direitos na Justiça.
domingo, julho 09, 2006
Na noite de domingo minh'alma ficou limpinha e cheirosa

Na noite de domingo, Zinedine Zidane lavou minha alma. Não agüentava mais ver esse jogador ser tão incensado como gênio da bola pela imprensa brasileira e, certamente, mundial. Ele foi um bom jogador? Foi, ganhou alguns títulos para seu clube e país, sendo o mais importante, naturalmente, aquele em 1998. Mas será um fora-de-série, extra-classe (como tivemos tanto que ouvir nos últimos dias) ? Não, não é e, o que é pior, mostrou para todo o mundo sua face mais... recôndita (boa palavra essa).
Sua violenta agressão ao adversário ao final do jogo, no final da Copa, no final da carreira, foi o terrível epílogo de sua participação na partida contra a Squadra Azzura onde já havia cobrado com displicência uma penalidade máxima, o que pode até ser lido como uma forma de pouco caso com o adversário. Ao final, com desmedido destempero, deixou sua seleção em desvantagem numérica, ele que é, ou deveria ser – pela fama que tinha – , o líder daquele grupo. Deixou os companheiros com um jogador a menos e com tal ato absteve-se de cobrar o pênalti ao final da prorrogação, logo ele, cobrador oficial e que, talvez, conseguisse modificar o malogro francês.
Parece que Zidane deixou-se levar pelo doce canto da sereia, como os craques (?) brasileiros. Em horas assim concluo que jogadores de futebol são muito parecidos, sejam do campeonato carioca, potiguar, capixaba ou na final da Copa do Mundo. Se tiver um pouco de sensatez esse Zidane pedirá desculpas não só aos franceses, mas também ao mundo. Mas, se for igual mesmo aos seus companheiros brasileiros vai ver já está curtindo as férias em festas ou comprando mimos para curar a ressaca moral.
Itália!
sexta-feira, julho 07, 2006
Obituário
"Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve"

Há três tipos de pessoas: as que gostam de viajar e botam o pé na estrada; de tempos em tempos conhecem novos lugares – ou paragens já conhecidas e aprovadas – seja de carro, ônibus, navio ou avião (ou trem, onde houver). Há aqueles que gostariam de conhecer novos lugares mas, infelizmente, não podem – por diversos motivos. O mais comum, dureza. E, finalmente, há aqueles, estranhíssimos, que podem, têm tempo, mas não ligam. Devem achar que viagens são perda de tempo (!), dinheiro jogado fora (!!) e apenas uma forma cansativa de passar o tempo livre (!!!). Ok, ok... embora já os tenha chamado de estranhos, devo, por política de boa vizinhança, dizer que “respeito suas posições” e “cada um na sua”. Mas confesso, baixinho, que não dou as costas pra eles não... sei lá...ih...
Uma grande viagem pode ser para o interior, estradas de terra e o espírito simples e terno da gente daquelas veredas. Uma viagem assim costuma nos levar não só para o “interior do exterior”, mas para nosso próprio e íntimo âmago. Ah, faz tão bem à alma... É claro que uma grande viagem pode ser para um destino distante, uma realização, um projeto, uma descoberta, uma confirmação... Por sinal, há anos li que quando viajamos por turismo costumamos viajar para confirmar impressões sobre o destino; é raro alguém ir para um lugar do qual pouca ou nenhuma informação tem. Se a pesquisa foi bem feita, é muito incomum haver decepção.
Viajar me faz sentir mais vivo. Lembro da pura felicidade um dia, sozinho, início de noite, numa praia de Aracaju – destino que dias antes nem pensava em conhecer, como a maioria das pessoas, por sinal – conversando com uma rapaziada local e comendo acarajé... Daqui a uns dias vou partir para um novo destino e já estão em mira outros inéditos, para os próximos meses; serão decerto, a seu turno, relatados aqui. Quem sabe in loco; a Internet fez dessas coisas, a imediatidade, a aproximação do tempo ao fato (por sinal esse é um tema que tenho pensado em abordar).
Enfim, a expectativa da viagem me revigora. Como qualquer boa expectativa.
(a foto é desde um ultraleve, litoral da Bahia, entre Arraial d'Ajuda e Trancoso)quinta-feira, julho 06, 2006
Breve nota explicativa
segunda-feira, julho 03, 2006
“I know it's over”

Para quem não sabe (alguém não sabe?), The Smiths foi um grupo inglês, precisamente de Manchester, de enorme sucesso durante toda a década de 80. Muitos fãs a declaram como “a melhor banda de todos os tempos”. Mas, como foi dito, é declaração de fã e tal coisa tem estrita ligação com declaração de mãe: respeita-se, compreende-se, mas acabamos por erguer reservas, naturalmente. Afinal, “a melhor” ou não, o fato é que é uma banda cultuada até hoje e o será, decerto, por muito tempo. Seu líder, Morrissey, após o desfazimento do grupo partiu em uma carreira solo, conseguindo criar alguns hits e, embora sem atingir aquele sucesso de outrora conseguiu levar muito bem sua vida, obrigado (dia desses fez show no Radio City Music Hall; li que cantou músicas novas, músicas da carreira solo – “Every day is like Sunday” – e que a platéia veio abaixo com “Bigmouth Strikes Again” ou “There Is A Light That Never Goes Out”) .
The Smiths marcou muitos jovens daquela época inclusive este aqui que escreve. Posso dizer que era uma de minhas três bandas preferidas – e aí incluindo todo tipo de som. Com The Smiths nós podíamos ensaiar aquela pose de jovem-desiludido-sem-horizontes-curtindo-as-incógnitas-do-amor-e-do-porvir. Como toda banda jovem e para jovens, The Smiths falava muito de melancolia, do amor, da desilusão com o mundo, protestava contra seu país e contra a igreja.
Pois nessa tarde pós-desilusão esportiva (hum, vai ver foi o estopim da escolha) ia lembrando desses fatos enquanto ouvia There’s a light that never goes out (“And if a double-decker bus crashes into us / To die by your side, such a heavenly way to die”), How soon is now (“I am Human and I need to be loved / Just like everybody else does), Last night I dreamt that somebody loved me, música triiiiste, daquelas que faziam a meninada cantar com emoção (“Last night I dreamt that somebody loved me / No hope, no harm / Just another false alarm”), Girlfriend in a coma - ah, a tragédia... (“Girlfriend in a coma, I know, I know, it's really serious / There were times when I could have murdered her / But you know I would hate anything to happen to her (...) Let me whisper my last goodbyes, I know, it's serious”) ou, entre tantas outras, The Queen is dead, fazendo carga sobre a Família Real (“Dear Charles, don't you ever crave / To appear on the front of the Daily Mail / Dressed in your mother's bridal veil?”) – mas vejo agora que em momento algum da música Morrissey cita Diana Spencer, princesa de Gales (bem, talvez mexer com a namoradinha do império britânico fosse demais até para os smiths...).
Deixando de lado considerações acerca da intensidade do inconformismo smithsoniano com “tudo isso que estava aí”, The Smiths marcou época, marcou seu tempo e até hoje embala sonhos, dials, festinhas e ipods, tendo deixado um recado para os meninos de antanho, em “Pretty girls make graves”, mostrando que não precisavam dizer sempre sim se quisessem um dia dizer não (“I could have been wild and I could have been free / But Nature played this trick on me / She wants it NOW / And she will not wait / But she's too rough / And I'm too delicate / Then, on the sand / Another man, he takes her hand / A smile lights up her stupid face / I lost my faith in Womanhood, I lost my faith in Womanhood / Oh ...”).
sábado, julho 01, 2006
Falta de compromisso, falta de concentração e muito enfado
Sua falta de compromisso com um jogo pode ter origem em sua crença quanto às poucas chances de sucesso, seu desconhecimento das regras ou sua técnica limitada. Ainda assim, se quiser, poderá jogar competitivamente, com brio. Na escola, no horário do recreio ou na aula de educação física você pode se empenhar em vencer a partida de queimado ou handball. Mas se não quiser se esforçar - porque está cansado, porque está sem saco, porque sua(seu) namorada(o) te deu um fora, por qualquer motivo - você não terá que responder a ninguém, salvo à sua consciência.
Mesmo que você se esforçe, o destino poderá lhe ser ingrato. Você joga no time de vôlei do colégio ou mesmo no time de futebol do condomínio; você joga no time da empresa ou com os velhos amigos; você vai defender uma tese; você concorre a um prêmio: sua mulher, seu marido, seus filhos, sua namorada, seu namorado, seu amigo, todos vão lhe assistir. O que você deve a eles? nada, nada mesmo, a não ser vontade, interesse, brio. Talvez ao demonstrar tais virtudes aliadas à capacidade de vencer, o destino lhe seja condescendente. Mesmo que dê tudo errado, seus amigos e parentes ficarão felizes e orgulhosos.
Perdendo ou ganhando, sendo derrotados ou vitoriosos, o que temos que ter em mente é o compromisso, a responsabilidade. Mas compromisso e responsabilidade são dois objetivos que podem se tornar voláteis, perder seus significados quando o indivíduo atinge um sucesso pessoal muito grande e, como exemplo de tal perda, começa a reclamar da monotonia de castelos onde tem que ficar concentrado em um determinado objetivo - que pessoalmente não lhe fará diferença em conquistar ou não - e, no momento da disputa, põe-se a congratular-se a todo momento com seus amigos que, ao menos naquele exato e preciso momento, são apenas seus adversários e nada mais.
A gente quer responsabilidade. A gente precisa de seriedade. Até no futebol.
Por que não torcer pela Argentina?

Estava torcendo avidamente pela Argentina e, posso dizer, quase fiquei desanimado ao final do jogo. Se passar pela Itália, as chances da Alemanha perder a Copa são como de você ganhar sozinho a mega-sena acumulada. E sem apostar (impossível? não... vai que acha o bilhete perdido numa calçada qualquer).
Estou com aquele gosto de "tô sendo enganado", como o Jô Soares em seu velho programa de humor quando usava uma maquiagem e um nariz de palhaço, repetindo "eu não sou palhaço; estão me fazendo de palhaço". Daqui a pouco vamos torcer contra a França, mas... em vão?